BNDES doa R$ 50 milhões para reconstrução do Museu Nacional e recuperação do fóssil de Luzia
02/04/2025
(Foto: Reprodução) Incêndio em 2018 destruiu 85% do acervo, que incluía documentos, objetos, fósseis, múmias, mobiliário, coleções de arte e estudos científicos. Obras de recuperação começaram em 2021, e a previsão é que o espaço seja reaberto em 2026. BNDES doa R$ 50 milhões para reconstrução do Museu Nacional
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou, no começo da tarde desta quarta-feira (2), um novo investimento de R$ 50 milhões na reconstrução do Museu Nacional.
O local passa por obras de recuperação após ter sido destruído por um incêndio de grandes proporções em 2018 (veja mais detalhes abaixo).
"O Museu Nacional tem um papel fundamental do reconhecimento do Brasil profundo e secular. Aqui estavam expressões importantes do que somos como brasileiros. É importante recuperar e entregar o museu Nacional o mais rápido possível", afirmou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.
Deste valor, pelo menos R$ 2,5 milhões devem ser liberados imediatamente para os trabalhos. Os recursos vão permitir a restauração do crânio de Luzia, fóssil humano mais antigo do Brasil que despareceu nos escombros.
Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional, destacou a importância da doação do banco e da ajuda de uma rede de parceiros no processo de reconstrução da instituição.
Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista
Cristina Boeckel/g1 Rio
"Estamos trabalhando para que, em 2026, consigamos cumprir a nossa promessa de reabrir o museu e os jardins para a população", disse Kellner.
O esqueleto de uma baleia cachalote de mais de 15 metros deve ficar exposto para visitação a partir de 5 de junho.
Mercadante afirmou que o BNDES negocia com a Febraban a doação de bancos privados para a instituição. Segundo ele, pelo menos mais R$ 18 milhões em recursos devem ser doados.
Imagem em 3D de como a baleia ficará exposta
Reprodução
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Cristina Boeckel/g1 Rio
Doações anteriores
Esta não é a primeira doação do BNDES, que já contribuiu outros R$ 50 milhões ao longo dos anos 2019 e 2020.
O Museu Nacional foi fundado em 1818, com o nome de Museu Real, e pegou fogo no ano do bicentenário.
O Museu Nacional é uma instituição autônoma, integrante do Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro e vinculada ao Ministério da Educação.
Meteorito Bendegó, símbolo de resistência do Museu Nacional após incêndio
Cristina Boeckel/g1 Rio
Como museu universitário, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tem perfil acadêmico e científico.
O evento contou também com a presença do reitor da UFRJ.
"A universidade é um dos lugares mais importantes para o desenvolvimento social e econômico", disse Roberto Medronho, reitor da UFRJ, que também se manifestou contra o corte de recursos da universidade.
Ele destacou a necessidade de apoio para que a universidade mantenha instituições históricas como o Museu Nacional e mantenha ações afirmativas.
Incêndio em 2018
Incêndio no Museu Nacional no Rio de Janeiro
Ricardo Moraes/Reuters
O incêndio no Museu Nacional, que aconteceu na noite de 2 de setembro de 2018, destruiu o local, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio.
As chamas destruíram 85% do acervo, que tinha 20 milhões de itens entre documentos, objetos, fósseis, múmias, mobiliário, coleções de arte e estudos científicos.
As obras de reconstrução foram iniciadas em novembro de 2021, depois de 3 anos de retirada de escombros e contenção da estrutura, além de atrasos em decorrência da pandemia.